Características do Solo na Cidade de Maputo
Maputo está localizada em uma área costeira, com solos predominantemente arenosos e argilosos, os quais são particularmente vulneráveis à erosão. Segundo Ribeiro et al. (2018), os solos da cidade são susceptíveis à degradação quando submetidos a pressões humanas, como construção civil, actividades agrícolas não regulamentadas e eliminação inadequada de resíduos. Devido ao rápido crescimento urbano, as áreas verdes e de vegetação natural que protegiam o solo foram substituídas por superfícies impermeáveis, como estradas e edifícios. Isso diminui a infiltração de água no solo e aumenta a erosão.
Principais Factores Humanos de Degradação dos Solos em Maputo
Expansão Urbana e Infra-estrutura
A expansão urbana descontrolada tem sido uma das principais causas de degradação dos solos em Maputo. Desde a independência de Moçambique, a cidade experimentou um crescimento populacional acelerado, o que levou à ocupação de áreas periurbanas sem planejamento adequado. Segundo Mucavele (2019), muitas dessas áreas não possuem sistemas de drenagem apropriados, o que causa erosão severa, especialmente durante a estação chuvosa.
Agricultura Urbana e Periurbana
A prática de agricultura urbana e periurbana em Maputo, especialmente nas margens do rio Infulene, tem contribuído para a degradação dos solos. Devido à alta densidade populacional e à demanda por alimentos, os agricultores frequentemente utilizam fertilizantes químicos e pesticidas em excesso, provocando contaminação do solo e esgotamento dos nutrientes. De acordo com Simango et al. (2020), essas práticas não sustentáveis resultam em erosão acelerada.
Eliminação Inadequada de Resíduos
A gestão inadequada de resíduos sólidos em Maputo também é uma grande preocupação. Muitos aterros estão mal localizados, e a eliminação de lixo em áreas abertas provoca a contaminação do solo com substâncias tóxicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (2017), a presença de resíduos sólidos nas margens de rios e em terrenos baldios contribui para a poluição do solo.
As mudanças climáticas exacerbam a degradação dos solos em Maputo, aumentando a frequência de eventos climáticos extremos, como inundações e secas. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, 2019), Maputo é particularmente vulnerável ao aumento do nível do mar e à erosão costeira, afetando significativamente os solos.
A desflorestação é a destruição ou perda de floresta. A FAO define a desflorestação como a conversão da área de floresta para outros usos não-florestais, independentemente de esta ser induzida ou não pelo Homem (FAO, 2020a). Ainda segundo a FAO, a floresta é um terreno maior que 0,5ha com árvores maiores que 5 metros e cuja canópia cobre mais de 10% (FAO, 2020b).
As florestas constituem ecossistemas nos quais várias espécies de árvores, arbustos, e diversos tipos de seres vivos interagem entre si. As florestas são fundamentais para o ciclo da água, a conservação do solo, o sequestro de carbono e para a protecção do habitat de diversas espécies (FAO, 2016), por isso o seu desaparecimento constitui uma catástrofe com inúmeras consequências ao nível dos ecossistemas e da produção de alimento, entre outros. Por todo o mundo têm existido alterações na área de floresta existente,
Segundo a FAO a América do Sul e a África têm sido os continentes mais afectados pela perda de árvores nos últimos 30 anos (FAO & UNEP, 2020) Contudo, apesar de a desflorestação continuar, esta tem vindo a diminuir nos últimos anos.
As causas da desflorestação são variadas e devem ter em conta o local em questão. As causas de origem antrópica, incluem incêndios que causam a perda da biomassa florestal por combustão, o abate de árvores, poluição ou pragas que destroem a vegetação e, ainda, a introdução de espécies invasoras. Outros factores podem ainda ser chuvas ácidas (principalmente nos países industrializados), abate de árvores para aquecimento doméstico, mobiliário, construção civil e comércio de madeira exótica.
Atividades humanas como a expansão da agricultura, o crescimento urbano, o desenvolvimento de infraestruturas e exploração mineira são os grandes desencadeadores das causas que provocam a desflorestação.
Em África, a necessidade de aumento da produção agrícola é responsável pela perda de área florestal (FAO, 2016). As consequências da perda de floresta são a perda de biodiversidade através do desaparecimento de seres vivos e do seu habitat, diminuição da captação de dióxido de carbono pois os níveis de fotossíntese são reduzidos nessa região, alteração do regime das chuvas uma vez que a evapotranspiração é reduzida e, consequentemente, afecta os níveis de humidade na atmosfera, e erosão do solo. Esta última acontece devido à ausência da vegetação que protege o solo da erosão pelo vento e pela chuva, e de raízes que ajudam a fixá-lo num determinado local. A desflorestação também causa alterações nos nutrientes e na matéria orgânica presente no solo.
De acordo com a Proteção Civil “um incêndio é uma ocorrência de fogo não controlado, que pode ser extremamente perigosa para seres vivos e estruturas” (SRPCBA, 2020).
Os incêndios podem ser de ocorrência natural ou causados pelos humanos. Este tipo de evento pode direcionar a evolução de determinados locais, das espécies aí existentes e até permitir a manutenção de uma determinada comunidade de espécies
Por outro lado, no caso das populações humanas alguns incêndios podem auxiliar na segurança de aldeias e cidades. Contudo, em grande parte dos casos, os fogos são uma força destruidora com consequências devastadoras para os ecossistemas e das quais é, muitas vezes, difícil recuperar. Os incêndios causados pelo Homem devem-se à negligência ou a acidentes através da realização de queimadas realizadas para a limpeza de determinados locais, por exemplo, para futuros pastos e queima de lixo, entre outras, e devem-se a actos intencionais, os fogos criminosos (ANPC, 2018).
As consequências deste tipo de catástrofe para os ecossistemas são: destruição de habitats através da queima de árvores e arbustos e de húmus, morte dos organismos (fungos, plantas, animais, …) que vivem no local, desertificação do solo (pela destruição da camada mais superficial) e contribuição para o aquecimento global devido à libertação de gases com efeito de estufa e destruição de organismos sequestradores de carbono.
No que se refere aos solos, os incêndios produzem efeitos nas suas propriedades físicas, químicas, mineralógicas e biológicas. Dependendo da intensidade e duração desta catástrofe esta provoca uma diminuição da quantidade de matéria orgânica, uma redução total ou parcial da camada mais superficial do solo, pode ocorrer diminuição da permeabilidade do solo, aumento da drenagem e erosão (devido, principalmente, à combustão da vegetação), aumento do pH pela desnaturação de compostos orgânicos e pela presença de K, Ca e Mg nas cinzas. Em geral, não se verificam grandes alterações na composição mineralógica do solo podendo, no entanto, existir algumas alterações ao nível da rede cristalina e algumas transformações quando as temperaturas atingem valores muito altos (mais de 500ºC).
Os outros tipos de poluição podem dar um importante contributo para a poluição do solo. Muitas vezes, a poluição do solo pode ser difícil de detectar porque pode não ser visível nem ter odor, e por ser algo ao qual as pessoas não dão tanta atenção no quotidiano. Esta poluição pode ser local, quando a sua causa é facilmente identificável (exploração mineira ou libertação de petróleo) e ocorre numa determinada região, ou difusa, quando a sua causa é de difícil identificação e esta engloba uma grande área.
Em geral, a poluição difusa está relacionada com poluentes provenientes de outros tipos de poluição (aquática e atmosférica) (Rodríguez-Eugenio et al., 2018).
A poluição do solo pode ter diversas causas como os poluentes provenientes da poluição atmosférica e aquática ou, até, ter origem em alguns fenómenos naturais como erupções vulcânicas, meteorização de rochas contendo determinados elementos químicos em quantidades passíveis de gerar poluição ou radioatividade natural. Contudo, atividades antrópicas como a indústria, a exploração mineira, os transportes, a urbanização, os esgotos e o lixo, as guerras e atividades militares, a agricultura e a pecuária são os grandes responsáveis por este tipo de poluição (Rodríguez-Eugenio et al., 2018). Catástrofes como a desflorestação e os incêndios também tornam os solos mais vulneráveis à poluição. E os poluentes provenientes destas atividades que causam a degradação do solo são os metais pesados e metaloides, o nitrogénio, o fósforo, os pesticidas, os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, os poluentes orgânicos persistentes, as substâncias radioativas, os microorganismos patogénicos, os genes e bactérias resistentes e outros poluentes emergentes.
As consequências desta poluição são: contaminação de aquíferos, morte de seres vivos que habitam o solo, entrada de poluentes nas cadeias tróficas e salinização. Esta última consequência, abaixo explicada, traduz-se por uma acumulação de sais no solo que o tornam infértil.
Consequências da Degradação dos Solos em Maputo
A
degradação dos solos em Maputo tem várias implicações ambientais e
socioeconômicas. Primeiramente, afeta a produção agrícola, reduzindo a
disponibilidade de solos férteis para cultivo. Isso aumenta a insegurança
alimentar, especialmente para as comunidades periurbanas que dependem da
agricultura de subsistência.
Além disso, a degradação dos solos aumenta o risco de desastres naturais, como
inundações e deslizamentos de terra, comuns durante a estação chuvosa. A erosão
do solo também contribui para a poluição dos recursos hídricos, afetando
negativamente o abastecimento de água.
Medidas para Mitigar a Degradação dos Solos em Maputo
Planejamento Urbano Sustentável
A adopção de um planeamento urbano sustentável é essencial para controlar a expansão desordenada e mitigar a degradação dos solos. Segundo o Plano Director Municipal de Maputo (2017), a criação de zonas de conservação e a recuperação de áreas degradadas podem ajuda
É fundamental promover práticas agrícolas sustentáveis, como a rotação de culturas e o uso de adubos orgânicos. De acordo com Pereira et al. (2021), a adopção dessas práticas pode aumentar a produtividade dos solos e reduzir os impactos da agricultura intensiva.
Melhorar a gestão de resíduos sólidos é crucial para reduzir a contaminação do solo em Maputo. O município deve implementar sistemas de coleta de lixo mais eficientes e garantir que os aterros sanitários estejam localizados em áreas seguras.
Reflorestamento e Recuperação de Ecossistemas
Programas de reflorestamento nas áreas periurbanas são essenciais para estabilizar os solos e prevenir a erosão. Segundo Bagnara et al. (2020), iniciativas de reflorestamento podem ter impactos significativos na recuperação dos solos degradados.
Referências
Bagnara, T., Oliveira, M., & Castro, L. (2020). Reflorestamento em áreas urbanas: Benefícios ambientais e recuperação de solos. Revista Brasileira de Ciências Ambientais, 15(3), 123-140.
Food and Agriculture Organization (FAO). (2020). Soil degradation in urban environments: Case studies from Sub-Saharan Africa. FAO Publishing.
Instituto Nacional de Estatística de Moçambique (INE). (2017). Censo demográfico de 2017: Resultados preliminares. INE.
Mucavele, F. (2019). Crescimento urbano e impactos ambientais: A degradação do solo nas cidades de Moçambique. Revista de Geografia e Planejamento Urbano, 22(1), 45-59.
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). (2019). Relatório especial sobre mudança climática e terras. Cambridge University Press.
Pereira, A. M., Santos, P. R., & Silva, J. C. (2021). Práticas agrícolas sustentáveis para a conservação do solo: Experiências em Moçambique. Revista de Agroecologia, 18(4), 87-102.
Ribeiro, L. A., Matavel, S., & Fonseca, J. (2018). Impactos da urbanização na erosão dos solos em Maputo. Journal of Environmental Studies, 10(2), 97-115.
Simango, D., Chissano, J., & Tivane, G. (2020). Agricultura urbana e degradação dos solos: Um estudo no rio Infulene, Maputo. Boletim de Pesquisa Agropecuária, 9(1), 25-34.
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